Numa altura em que as edições discográficas atravessam um período de redefinição, o Teatro Municipal da Guarda assume-se como um impulsionador de projectos, ajudando na promoção e divulgando o trabalho de artistas de artistas através da edição dos seus discos. Em menos de dois anos, o TMG editou “Cumeada”, dos Campanula Herminii (Dezembro 2010), “Canções de Cordel”, de César Prata (Dezembro 2010), “Psicotic Jazz Hall”, de Kubik (Maio 2011), e co-editou com a Junta de Castilla y León “Abraço/Abrazo”, de Maria Salgado (Abril 2011). A estes quatro discos há ainda a juntar o audiolivro “O Senhor Henri” de Gonçalo M. Tavares (Dezembro 2011), co-editado com a BOCA, e o DVD “A Raia vista por…” (Dezembro 2011), numa parceria com a Junta de Castilla y León.
Todas as edições receberam excelentes críticas e algumas foram mesmo seleccionadas para integrarem várias listas dos melhores discos de Música Portuguesa de 2011.
«O trabalho dos Campanula Herminii [em “Cumeada”] é um exemplo de como a música portuguesa pode resistir aos estereótipos sem se deixar envelhecer», escreve Manuel Halpern do “Jornal de Letras”. Um disco que «reimagina cenários serranos e rotas de transumância e enxerta-os em memórias imaginárias e espaços de atmosferas translúcidas que, facilmente, diríamos acolherem esboços de Steve Reich para uma Penguin Café Orchestra», refere por sua vez João Lisboa no Expresso. O disco acabaria por arrecadar o segundo lugar na lista de preferências de música portuguesa do ATUAL do Expresso, no seu número de Balanço de 2011.
Quanto ao disco de César Prata, “Canções de Cordel”: «uma obra de abordagem surpreendente (…) reportório de horror e do macabro, mas também da coscuvilhice e de humor»; «”Canções de Cordel” é, à falta de melhor comparação, o “Murder Ballads” de Nick Cave na versão da transmissão oral portuguesa»; «Sangue, faca e alguidar, promete César Prata. Muito bem: oiçamo-lo e arrepiemo-nos qb.», refere Gonçalo Frota no suplemento Ípsilon do jornal Público, a propósito de uma digressão do artista com este trabalho no festival Escrita na Paisagem. «Entre “Murder Ballads” protofadistas e assombrações digitais egitanienses», escreve João Lisboa no Expresso. O disco de César Prata ficou em segundo lugar na lista dos melhores discos portugueses de 2011 do Jornal de Letras.
Mas nem só de discos se fez o ano de edições do TMG. Em Dezembro de 2011, o Teatro co-editou com a BOCA o audiolivro “O Senhor Henri”, de Gonçalo M. Tavares. Uma peça de teatro radiofónico do Projéc~ (estrutura de produção teatral do TMG) editada em CD e livro. «Um primoroso trabalho de equipa que reúne os talentos do actor José Neves, do ilustrador Luís Henriques (…) textos de Ana Paula Guimarães, Ana Teresa Marques dos Santos e Júlia Studart», escreve a Revista Visão.
«Aquilo que faz deste enigma (audiolivro) um caso singular (…) é o trabalho de interpretação do ator José Neves e o extraordinário trabalho de sonoplastia do mesmo José Neves e de Nuno Veiga e Pedro Costa (…) Um trabalho excecional e único, uma luz», assim o descreve Jorge Silva Melo no Diário de Notícias».
O balanço foi portanto muito positivo para o Teatro Municipal da Guarda no campo das edições. Um ano cheio de boa música e de boas notícias.
Todas as edições que referimos estão disponíveis para venda no site do teatro, na loja: clique aqui.
1 Comentários:
De facto, trabalhos de excelência, que deram grande visibilidade à cidade da Guarda (e ao TMG) e capazes de a projectar além fronteiras.
Impressionante, quando se pensa na quantidade de trabalhos aqui descritos e na qualidade de todos. Parabéns ao TMG! E que possa continuar a concretizar projectos como estes, contando com apoios institucionais diversos.
Enviar um comentário